sábado, 2 de abril de 2011

Expo AQUARELA'S BERNER 2011

Exposiçaõ Individual de aquarelas, pasteis e xilogravuras
Centro de Cultura / Sala Van Dijk
Praça Visconde de Mauá, 305 / Petrópolis, RJ
de 15 a 30 de abril 2011; Pintura ao vivo e confraternização 16/04 às 16h

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

AQUARELA

A AQUARELA
A partir desta abordagem, passaremos a tecer considerações sobre o tema com ilustrações, como a "Igreja do Bonfim" ao lado.

Aquarela definição e lista dos materiais


Toda tentativa é válida. Prudente é informar-se antes (W.L.Berner)

Esta técnica remonta a milênios quando os Faraós pintavam suas peças e sarcófagos com uma composição de tinta a base de água, formulação esta tal como as de aquarela, atualmente utilizadas. Todavia ao longo dos tempos, foi considerada uma “pintura experimental e de ensaio com águas coloridas”, não sendo considerada uma técnica em si, mas uma maneira simples e barata de “ensaiar o projeto” pretendido. Esta técnica e basicamente se resume na aglutinação de determinados pigmentos à gomas e diluição em água. Mais recentemente, no final do sec. XV com Albrecht Dürer, a aquarela conquista seu lugar no cenário das artes plásticas reconhecidas. É uma pintura extremamente transparente, podendo-se aplicar basicamente todos os pigmentos a exceção do branco de chumbo e amarelo nápoles (verdadeiro), e alguns mais, opacos. Não obstante a aquarela valorizar o branco do papel, as tintas opacas (guache, brancos, preto, e nápoles), fazem parte de sua paleta para determinados e específicos recursos técnicos.
Devido sua alta transparência, e perfeita combinação cromática, não é utilizado branco, tão descontroladamente ou liberalmente, por vez que esta matéria é oticamente a soma de todas as cores, e plasticamente é a ausência de todas as cores e, paradoxalmente é um opacificante e rebaixador na combinação com outras cores.
Na Aquarela, o “branco” (no sentido luminosidade e brilho) é o próprio papel. Portanto é de vital importância decidir-se sempre por papeis alvos, mesmo que se queira um fundo de outra cor ( o que se obtém por veladura).
Utiliza-se todavia, em técnicas específicas, como texturas, bases, e certos efeitos, o guache ou a acrílica (opacas), neste momento, as tintas de aquarela quando misturadas com o branco, tornam-se opacas como o guache.
Suas primárias, (aparte de classificações pessoais de cada Artista) são fundamentalmente:
o cian, o amarelo, e o magenta. Há de se observar que estas cores são conhecidas como “cor pigmento transparente”, e são largamente utilizadas nas gráficas e pelos aquarelistas.
Não confundir com outras escalas, como no caso das cores pigmento opacas (azul, amarelo, vermelho).
Sobre este assunto, devido sua alta importância, trataremos especificamente em capítulo próprio.
Lista de materiais:
Antes mesmo de conferir os materiais listados tenha em mente que para uma boa Arte não se deve negligenciar com os materiais, quer na qualidade dos produtos, como na sua conservação.
Pense também nas palavras de Joan Miró: “Não desprezar as realizações secundárias de minha obra, papéis, cartões, tela onde limpo meus pincéis... Isto é algo que Deus põe na estrada de minha vida e que serve para enriquecer a minha obra”.

Na Aquarela, além dos materiais básicos conhecidos, em função da criatividade de cada Artista, somam-se outros materiais “colaboradores” e “facilitadores”. Os mais usuais estão nesta lista sugerida:
*Papéis em folhas soltas ou blocos pré-montados próprios para aquarela, como: Montval; Fabriano; Schöller; e tantos outros, de acordo com a gramatura e textura desejada. Mas sempre com no mínimo 200gr/m2.
*Papéis rascunho e bloco de anotações
=papel Vegetal (para desenho) A4;
*Seu estojo de tintas ;
*Lápis B6; B8 (minas grafite muito macios)
=Lápis aquarela(minas cor, solúveis em água) = a critério do usuário;
*Borracha branca macia do tipo para desenhos técnicos;
*Faca alfa (estilete) ou canivete, ou apontador
=Palitos de madeira (tipo churrasquinho e tipo palitos de dente);
=Vela branca ou lápis cera branco;
=Tento ( pequeno bastão de 30 cm com extremos isolados);
=Escova de dentes
=Transferidor de escalas (ferramenta criada e patenteada por W.L.Berner);
*Pincéis redondos (pelo macio) Nros.: 28; 10; 5; 4; 2; 1; 0; 00
=Pincel redondo nro. 4 e 1 ( pelo macio de baixa qualidade para uso na aplicação de máscaras)
*Pincéis chatos (pelo macio) Nros: 22; 10; 8; 5;
=Pincéis especiais de pelo macio como: chanfrados, língua de gato, leque;
*Dois potes para água aprox. 300ml.(preferencialmente potes de plástico);
*Rolo de papel higiênico (sem perfume ou talco)
=Colher de cafezinho;
*Pano limpo ( um lenço velho);
*Trapo de pano (como uma toalha de cozinha)
=Algodão
=Espumas de plástico ( em pedaços e rolinho de 5cm.), espumas marinhas, espiga de milho...;
=Sabonete (ou sabão de côco);
=Azulejo banco (aprox. 15x15 cm.) ou
*Prato branco de louça, ou tampas de plástico branco ( que servirá de paleta ou godê);
*Máscara para aquarela ( “Art Masking Fluid”)
=Sal de cozinha (fino e grosso);
*Avental ou guarda-pó;
=Plástico (preferencialmente fino e transparente) pode ser saco ou rolo, ou
=Filme de PVC transparente (usado na embalagem de alimentos)
=Goma arábica (não confundir com verniz goma laca)
=Frasco de álcool (pequeno)
*Prancheta de madeira ou eucatex (aprox. 40x50 cm);
*Maleta ou estojo próprios, para acondicionamento e transporte dos materiais;

OBSERVAÇÃO: Nem todo material será necessário para iniciar-se na aquarela portanto, observe os sinais ao lado de cada produto: "*" é fundamental; "=" utilizado mais adiante.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

EM PAPEL BRANCO

Em papel branco.

De certa feita, estava diante de um papel branco, tal como as muitas vezes em que me encontro frente a uma tela, ao iniciar uma nova pintura. Várias lembranças se acumulam de repente em minha cabeça. Que estranho! Não paro de pensar no tema e na superfície alva. Uma verdadeira ânsia em conseguir as etapas planejadas, sem vacilar, sem deixar nada escapar...
Branco. Ausência total de cor (na pintura) ou soma total das cores (na ótica). Ausência total, o vazio; mas soma de todas as qualidades, o pleno! Penso nos habitantes polares que identificam mais de mil tonalidades do branco. Seria o clarão indefinido das primeiras luzes do amanhecer? A Alvorada!
Seria a ansiedade do esperado, não visível? A fé!
Biblicamente, o "branco" aparece em diversas citações, mas uma delas descreve a singeleza desta Luz: (Ap. 1, 14-18) "A cabeça e os cabelos eram brancos como lã branca e como a neve. Os olhos eram como chamas de fogo... Não temas, eu sou o primeiro e o último, o vivente, estive morto, mas eis que vivo pelos séculos dos séculos". É em poucas palavras, a descrição do Transcendente.
Como ocorre com o artista, ao ver a superfície branca e nela enxerga todo seu projeto, assim é também a imensidão que encerra o pensamento em branco, rico em devaneios.
Ávido pela revelação.
Quando pintava (e redigia) uma cena, meu filho descreveu assim, minha tela branca:
"O tom desta obra tão bela / é agora representado / seja em terra, óleo ou aquarela. /
É o homem em harmonia com ela. / Observa, / e põe sua impressão na tela. /
De certo esta respeitável senhora / sente-se agora delicada donzela".(Alexandre Berner)
Transformar o branco em plano multicolorido é semelhante à fé que floresce naquele que deposita sua esperança no Criador que Se revela através da história de cada pessoa.
Ocorre que este branco, pleno de esperanças, ao se colorir, vai juntando os pequenos tons, detalhes, e ajustes, que nem sempre são os desejos pré-estabelecidos, e nem sempre são os resultados esperados, mas que ao final tornam em realidade a vida de um sonho antes pretendido.
Que critérios são estes em que os desejos não são atendidos plenamente? Desconhecimento de causa e falta de credibilidade ou de fé? A resposta é pessoal, mas é também transcendental. Tal qual o poder da oração, assim se projeta o poder da criatividade na arte. Sim, isto mesmo: oramos, pedimos, rogamos. Planejamos a tela, planejamos a vida; imaginamos o melhor para o projeto...Mas a resultante final, os critérios conclusivos, não pertencem à criatura. Pertencem tão somente ao Criador.
Nem sempre aquilo que planejamos e pedimos, nem sempre aquilo que almejamos ou o caminho que trilhamos e traçamos, vem na plenitude do planejado. Deus sempre intervém em graça e misericórdia, independente de nossas ansiedades, ou vontades, porque Ele deseja sempre o melhor para seus amados, mesmo que esta aparente "pincelada divina" seja do total desagrado da pessoa.
Não entendemos as razões divinas para aquela diretriz, mas certamente sempre é a melhor solução.
É como enxergar na superfície branca, toda a realidade que não se consegue ver.
Ver o belo é enxergá-lo com os olhos da alma.
Eis porque a misericórdia divina deve ser recebida em plenitude de confiança e fé na graça de Deus.
Não convém buscar justificativas, entendimentos, ou razões pelas quais fomos merecedores daquela graciosidade divina, isto porque na ânsia de "buscar as razões", nos perdemos na fé; nos perdemos na total entrega a Deus; nos perdemos em mãos humanas.
Ë bom não entendermos a misericórdia de Deus, não entendermos Suas razões para nos agraciar. Basta-nos confiar-Lhe a nossa vida, o nosso "papel branco", e crer neste grandioso Deus.